A Amazon divulgou novos números relacionados ao consumo de água de seus data centers e afirma ter alcançado um resultado expressivo: segundo a empresa, suas operações utilizam atualmente até sete vezes menos água do que a média da indústria. A divulgação acontece em um momento em que gigantes da tecnologia enfrentam questionamentos cada vez maiores sobre o impacto ambiental da expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem.
De acordo com a companhia, houve uma melhora de aproximadamente 52% na eficiência hídrica de seus centros de dados nos últimos cinco anos. A Amazon afirma que suas instalações consumiram, em média, apenas 0,12 litro de água por quilowatt-hora utilizado em 2025, enquanto a média do setor estaria próxima de 0,84 litro por quilowatt-hora.
Corrida pela sustentabilidade ganha força na era da IA
O crescimento acelerado dos sistemas de inteligência artificial está aumentando significativamente a demanda por processamento, armazenamento e infraestrutura computacional. Como consequência, empresas como Amazon, Microsoft, Google e Meta vêm investindo bilhões de dólares em novos data centers, ao mesmo tempo em que precisam responder às preocupações relacionadas ao consumo de água e energia.
Especialistas apontam que a eficiência ambiental deixou de ser apenas uma questão de imagem corporativa e passou a se tornar um diferencial competitivo. Além de reduzir custos operacionais, práticas sustentáveis ajudam empresas a obter licenças para novos projetos e diminuem a resistência de comunidades locais à instalação de grandes centros de processamento.
O que é um data center?
Data center é uma instalação que abriga milhares de servidores responsáveis por armazenar informações e executar aplicações utilizadas diariamente por empresas e consumidores.
Serviços como redes sociais, streaming, inteligência artificial, armazenamento em nuvem e sistemas corporativos dependem desses ambientes para funcionar continuamente. Como os servidores geram muito calor, sistemas avançados de refrigeração são fundamentais para manter tudo operando de forma segura.
Amazon aposta em resfriamento por ar externo
Um dos principais fatores apontados pela empresa para explicar os resultados é o uso intensivo de resfriamento por ar externo. Segundo a Amazon, aproximadamente 90% do tempo seus data centers utilizam o chamado "free air cooling", uma técnica que aproveita o ar ambiente para remover calor dos equipamentos sem necessidade de consumir água.
Na prática, o sistema funciona de forma semelhante a abrir as janelas de uma casa durante uma noite mais fresca para reduzir a temperatura interna sem ligar o ar-condicionado. O método permite diminuir simultaneamente o consumo de água e energia elétrica.
Quando as temperaturas externas ficam elevadas, a empresa recorre a sistemas de resfriamento evaporativo, nos quais pequenas quantidades de água ajudam a reduzir a temperatura do ar antes que ele seja direcionado aos equipamentos.
O que é resfriamento evaporativo?
O resfriamento evaporativo utiliza a evaporação da água para retirar calor do ambiente. Quando a água evapora, ela absorve energia térmica do ar ao redor, reduzindo sua temperatura.
Esse método é amplamente utilizado em data centers modernos porque consome menos energia do que sistemas tradicionais de refrigeração mecânica. Sua eficiência, porém, depende das condições climáticas da região onde a instalação está localizada.
Servidores passaram a operar em temperaturas mais altas
Outra estratégia adotada pela Amazon foi aumentar gradualmente a temperatura operacional de seus centros de dados. Após anos de testes e ajustes, a empresa elevou o limite de funcionamento para aproximadamente 29°C (85°F), reduzindo a necessidade de resfriamento constante.
Segundo a companhia, os equipamentos modernos conseguem operar de forma segura em temperaturas mais elevadas do que se imaginava há alguns anos. Isso permite diminuir significativamente o uso de água sem comprometer a confiabilidade dos sistemas.
Água reutilizada ganha espaço nas operações
A Amazon também vem ampliando o uso de água reciclada em suas instalações. Atualmente, cerca de 130 data centers utilizam água proveniente de estações de tratamento de esgoto, enquanto 26 deles operam exclusivamente com esse tipo de recurso.
Além disso, a empresa afirma estar colaborando com governos e comunidades locais para desenvolver projetos de reutilização que poderão devolver mais de 5,8 bilhões de galões de água por ano ao meio ambiente. O foco principal está em regiões que enfrentam escassez hídrica ou riscos relacionados à disponibilidade de recursos naturais.
O que significa ser "water positive"?
Uma empresa considerada water positive devolve ao meio ambiente ou às comunidades locais uma quantidade de água equivalente ou superior àquela que consome em suas operações.
No caso da Amazon, a meta é atingir esse objetivo até 2030. Isso significa que cada litro de água utilizado por seus data centers deverá ser compensado por projetos de conservação, reutilização ou recuperação de recursos hídricos.
Comparação mostra cenário competitivo entre gigantes da tecnologia
Os números divulgados pela Amazon também permitem observar como seus principais concorrentes estão lidando com o desafio da sustentabilidade. Segundo os dados apresentados, a Microsoft registrou consumo médio de 0,27 litro por quilowatt-hora em 2025, enquanto a Meta ficou próxima de 0,20 litro por quilowatt-hora.
Já o Google aparece com números mais elevados, próximos de 1,15 litro por quilowatt-hora, embora a empresa tenha investido fortemente em sistemas de otimização baseados em inteligência artificial e no uso de água reciclada para reduzir esse impacto.
Especialistas destacam importância da transparência
Apesar dos avanços apresentados, analistas observam que medir consumo hídrico em data centers continua sendo uma tarefa complexa. Algumas empresas contabilizam apenas a água utilizada diretamente nas instalações, enquanto outras consideram também a água empregada na geração da energia elétrica consumida pelos servidores.
Por esse motivo, especialistas defendem que as empresas passem a divulgar informações detalhadas por região, permitindo comparações mais precisas entre diferentes operações. A expectativa é que relatórios de consumo de água se tornem cada vez mais importantes nos próximos anos, especialmente para clientes corporativos preocupados com metas ambientais e critérios de sustentabilidade.
Infraestrutura de IA amplia desafios ambientais
O avanço da inteligência artificial está mudando completamente a escala da infraestrutura digital. Modelos cada vez maiores exigem enormes quantidades de processamento, aumentando a necessidade de energia, refrigeração e recursos naturais.
Por isso, especialistas acreditam que a próxima grande disputa entre gigantes da tecnologia não será apenas sobre desempenho ou capacidade computacional. Questões relacionadas ao consumo de água, eficiência energética e transparência ambiental devem desempenhar papel cada vez mais importante na expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial nos próximos anos.