A NVIDIA e a SK Hynix anunciaram um acordo multianual para o desenvolvimento conjunto de memória HBM4, tecnologia que será utilizada na futura plataforma Vera Rubin, próxima geração de aceleradores de inteligência artificial da fabricante norte-americana. A parceria vai muito além de um simples contrato de fornecimento e reforça a estratégia da NVIDIA de garantir acesso prioritário aos componentes mais avançados do mercado antes mesmo que eles cheguem à produção em larga escala.
O acordo foi firmado durante um encontro entre Jensen Huang, CEO da NVIDIA, e Chey Tae-won, presidente do Grupo SK. Segundo as informações divulgadas, a NVIDIA contribuirá com ferramentas de inteligência artificial voltadas para otimização de projetos e processos de fabricação, enquanto a SK Hynix disponibilizará suas linhas mais avançadas de produção de memória. O objetivo é acelerar ciclos de desenvolvimento que atualmente podem levar vários anos até que novas tecnologias cheguem ao mercado.
O que é memória HBM4?
HBM4 significa High Bandwidth Memory de quarta geração. Trata-se de um tipo de memória de altíssimo desempenho desenvolvida para aplicações que exigem enorme capacidade de processamento, como inteligência artificial, supercomputadores e aceleradores gráficos avançados.
Diferentemente das memórias tradicionais utilizadas em computadores domésticos, a HBM utiliza múltiplas camadas de chips empilhadas verticalmente, reduzindo distâncias físicas e aumentando significativamente a velocidade de comunicação entre memória e processador. Essa tecnologia é considerada essencial para os próximos avanços em IA generativa.
NVIDIA garante prioridade para a plataforma Vera Rubin
Um dos pontos mais importantes do acordo envolve a destinação de grande parte da futura produção de HBM4 da SK Hynix para a NVIDIA. Estimativas indicam que entre 60% e 70% de toda a memória HBM4 produzida pela fabricante sul-coreana poderá ser direcionada ao projeto Vera Rubin, plataforma que sucederá as atuais soluções voltadas para inteligência artificial e computação acelerada.
A necessidade de grandes volumes de memória ocorre porque a NVIDIA promete um salto expressivo de desempenho em relação às gerações atuais. Segundo a empresa, a plataforma Vera Rubin foi projetada para lidar com cargas de trabalho cada vez mais complexas envolvendo agentes de IA, modelos de linguagem avançados e sistemas autônomos de tomada de decisão.
O que é o Vera Rubin?
Vera Rubin é o nome da próxima geração de aceleradores de inteligência artificial da NVIDIA. A plataforma foi apresentada como sucessora das atuais arquiteturas utilizadas em data centers e promete oferecer um salto significativo de desempenho para aplicações de IA.
O projeto recebeu esse nome em homenagem à astrônoma Vera Rubin, conhecida por suas contribuições fundamentais para os estudos sobre matéria escura. Segundo a NVIDIA, a nova geração exigirá volumes sem precedentes de memória HBM4 para alimentar seu poder computacional.
Fabricantes de memória já se posicionam para a próxima geração
Além da SK Hynix, Jensen Huang confirmou que Samsung e Micron também atuarão como fornecedoras de HBM4 para a plataforma Vera Rubin. A SK Hynix, entretanto, saiu na frente no processo de qualificação e atualmente concentra a maior fatia desse mercado. A Samsung iniciou a produção em massa de HBM4 em fevereiro de 2026, enquanto a Micron já começou a fornecer módulos HBM4 de 36 GB capazes de atingir largura de banda de até 2,8 TB/s.
Esses números ajudam a explicar por que as fabricantes estão direcionando cada vez mais investimentos para o segmento de inteligência artificial. As margens de lucro são superiores às obtidas no mercado tradicional de memória para PCs, servidores convencionais e notebooks.
Mercado de PCs pode continuar sentindo os efeitos
Durante entrevista concedida ao jornalista Tae Kim, autor do livro The Nvidia Way, a diretora financeira da NVIDIA, Colette Kress, afirmou que a empresa já havia antecipado o cenário atual de escassez. Segundo ela, os pedidos foram realizados com bastante antecedência, garantindo fornecimento mesmo diante do crescimento explosivo da demanda por componentes voltados à inteligência artificial.
A declaração reforça uma preocupação que vem sendo compartilhada por diversas empresas do setor de tecnologia. Com fabricantes priorizando a produção de memórias HBM para atender gigantes da IA, sobra menos capacidade industrial para a fabricação de módulos DDR5 destinados ao mercado consumidor. Como consequência, especialistas acreditam que os preços da memória para computadores poderão permanecer elevados por um período prolongado, especialmente enquanto a corrida global pela inteligência artificial continuar acelerando.
O que é memória DDR5?
DDR5 é a geração mais recente de memória RAM utilizada em computadores pessoais, notebooks e estações de trabalho modernas. Ela oferece velocidades significativamente maiores que a DDR4, além de melhorias em eficiência energética e capacidade de transferência de dados.
Processadores recentes da AMD e da Intel já utilizam DDR5 como padrão principal. Entretanto, a crescente competição por capacidade produtiva dentro das fábricas de memória tem contribuído para manter os preços elevados em diversos mercados ao redor do mundo.
NVIDIA segue planejando vários anos à frente
As declarações de Colette Kress também mostram como a NVIDIA opera atualmente. Em vez de adquirir componentes disponíveis no mercado, a empresa participa diretamente do desenvolvimento de tecnologias futuras, alinhando especificações e volumes com fornecedores muitos anos antes do lançamento dos produtos. Quando problemas de oferta chegam ao mercado e viram manchetes, a companhia frequentemente já possui contratos assinados e capacidade reservada para as próximas gerações de hardware.