A Samsung pode estar prestes a resolver uma das principais críticas que acompanham seus smartphones dobráveis desde o lançamento do primeiro Galaxy Fold em 2019. Segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana, o futuro Galaxy Z Fold Wide deverá utilizar uma nova geração de vidro ultrafino capaz de reduzir significativamente a visibilidade do vinco central da tela.
O vinco, que aparece na região onde a tela se dobra, sempre foi um dos aspectos mais controversos dos celulares dobráveis. Embora a tecnologia tenha evoluído bastante nos últimos anos, muitos consumidores ainda consideram essa marca uma das maiores desvantagens da categoria.
Agora, a Samsung parece pronta para dar um passo importante na tentativa de minimizar esse problema.
Galaxy Z Fold Wide usará vidro 30% mais espesso
De acordo com informações publicadas pelo portal ZDNet Korea, o Galaxy Z Fold Wide utilizará uma camada de Ultra-Thin Glass (UTG) com aproximadamente 60 micrômetros de espessura. Para efeito de comparação, o Galaxy Z Fold 8 tradicional deverá continuar utilizando uma camada de 45 micrômetros.
Na prática, isso representa um aumento de cerca de 30% na espessura do vidro que cobre a tela flexível. A mudança pode ajudar a reduzir a aparência do vinco, além de tornar a superfície mais resistente ao desgaste do uso diário.
A expectativa é que essa nova abordagem torne a experiência visual mais próxima daquela encontrada em smartphones convencionais.
O que é Ultra-Thin Glass (UTG)?
Ultra-Thin Glass, ou simplesmente UTG, é um tipo especial de vidro ultrafino desenvolvido para telas dobráveis. Ele combina flexibilidade suficiente para permitir a dobra da tela com uma superfície mais rígida e resistente do que os filmes plásticos utilizados nas primeiras gerações de aparelhos dobráveis.
Essa tecnologia é considerada um dos principais avanços que permitiram a popularização dos smartphones dobráveis modernos.
Nem tudo são vantagens
Apesar dos benefícios, a adoção de um vidro mais espesso também traz novos desafios. Segundo especialistas do setor, quanto maior a espessura do vidro flexível, maior tende a ser sua fragilidade quando submetido ao processo constante de dobra.
Isso significa que, embora o Galaxy Z Fold Wide possa apresentar um vinco menos visível, existe a possibilidade de a tela ficar mais suscetível a rachaduras em situações extremas. A Samsung precisará encontrar um equilíbrio delicado entre resistência, flexibilidade e durabilidade para garantir que a mudança não gere novos problemas.
Tecnologia pode chegar ao Galaxy Z Fold 9
As informações indicam que o Galaxy Z Fold Wide servirá como uma espécie de laboratório para a nova tecnologia. Caso os resultados sejam positivos e os índices de falhas permaneçam dentro do esperado, a Samsung poderá expandir o uso do vidro de 60 micrômetros para toda a próxima geração de dobráveis.
Isso significa que tanto o futuro Galaxy Z Fold 9 quanto o Galaxy Z Flip 9 poderão se beneficiar da novidade, aproximando ainda mais os aparelhos da experiência visual oferecida por smartphones convencionais.
Por que os celulares dobráveis têm vinco?
O vinco surge porque a tela precisa se dobrar milhares de vezes ao longo da vida útil do aparelho. Mesmo utilizando materiais avançados, a região central sofre uma deformação mínima que acaba se tornando visível sob determinados ângulos e condições de iluminação.
Eliminar completamente esse efeito é um dos maiores desafios de engenharia enfrentados pelos fabricantes de smartphones dobráveis atualmente.
Concorrentes já avançaram nessa área
Nos últimos anos, fabricantes chinesas vêm investindo fortemente em soluções para reduzir a visibilidade do vinco. Modelos como o Oppo Find N6 utilizam camadas antirreflexo especiais para disfarçar a marca da dobra, enquanto aparelhos da Honor empregam novas estruturas internas e telas fornecidas pela BOE para minimizar o problema.
Embora nenhuma fabricante tenha conseguido eliminar totalmente o vinco até agora, algumas soluções já tornam a marca muito menos perceptível durante o uso diário.
Esse avanço crescente aumentou a pressão sobre a Samsung, que foi pioneira no segmento de dobráveis, mas passou a ser criticada por evoluir mais lentamente em determinados aspectos do design.
Física continua sendo o maior desafio
Apesar dos avanços, especialistas lembram que existem limitações físicas difíceis de contornar. Um material extremamente flexível tende a ser menos resistente, enquanto materiais mais rígidos normalmente apresentam maior risco de quebra quando submetidos a dobras repetidas.
Empresas como Apple, Samsung e diversos centros de pesquisa vêm estudando alternativas para contornar esse problema, incluindo materiais inteligentes capazes de alterar temporariamente suas propriedades físicas através de temperatura ou corrente elétrica.
Por enquanto, porém, a solução perfeita ainda não existe. Mesmo assim, a possível chegada de um Galaxy Fold com vinco quase imperceptível pode representar um dos avanços mais importantes já vistos no segmento de smartphones dobráveis.