AMD confirma vulnerabilidades graves em processadores Ryzen

AMD confirma vulnerabilidades graves em processadores Ryzen

📅 Artigo atualizado em 14/08/2026
✍️ Por Daniel Neri

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A AMD confirmou duas vulnerabilidades de alta severidade que afetam a implementação de Firmware TPM (fTPM) presente em diversos processadores Ryzen. As falhas foram registradas como CVE-2026-6726 e CVE-2026-6727, com pontuações de 8,5 e 8,3, respectivamente, na escala CVSS 4.0.

As vulnerabilidades estão relacionadas ao código de referência do TPM 2.0 mantido pelo Trusted Computing Group (TCG) e podem permitir vazamento de informações armazenadas no módulo de segurança ou comprometer mecanismos de autenticação baseados em TPM.

Embora o boletim da AMD tenha sido divulgado em agosto, as correções de firmware já haviam sido entregues aos fabricantes de placas-mãe e computadores semanas antes. Para boa parte dos processadores desktop, as versões corrigidas chegaram aos fabricantes ainda em maio e começaram a aparecer em atualizações de BIOS distribuídas ao público nos meses seguintes.

Duas falhas que não nasceram no silício da AMD

O boletim da AMD classifica as duas vulnerabilidades como problemas “non-AMD”. Isso significa que a origem está no código de referência do TPM 2.0 mantido pelo TCG, e não em uma falha específica criada pela arquitetura dos processadores da AMD.

Como o código de referência é utilizado por diferentes fabricantes, qualquer TPM cujo firmware seja baseado na implementação afetada pode herdar o problema. Isso inclui chips TPM dedicados, módulos integrados, fTPMs e até implementações de software utilizadas em ambientes de nuvem e virtualização.

A AMD analisou o relatório produzido pelo TCG e concluiu que seus Firmware TPMs são afetados. O problema consiste em uma leitura fora dos limites da memória que pode ser acionada por aplicativos em modo de usuário por meio do envio de comandos maliciosos ao TPM.

Em determinadas condições, a exploração pode permitir a leitura de informações armazenadas no módulo ou afetar sua disponibilidade. O alcance prático do ataque, entretanto, é limitado pelo fato de que o invasor precisa de acesso local privilegiado à interface de comandos do TPM.

Explicando a tecnologia

O que é fTPM?

O Firmware Trusted Platform Module, ou fTPM, é uma implementação de TPM integrada ao firmware de uma plataforma. Ele fornece funções de segurança utilizadas para armazenar chaves criptográficas, verificar a integridade do sistema e permitir mecanismos como o BitLocker e a autenticação baseada em hardware sem exigir necessariamente um chip TPM separado.

O que um atacante consegue extrair

As duas vulnerabilidades possuem vetores diferentes. A CVE-2026-6726 está relacionada a um vazamento de informações que pode permitir a obtenção de credenciais associadas a uma chave TPM falsificada, incluindo chaves utilizadas para atestação, identificação de dispositivos e conexões TLS.

Já a CVE-2026-6727 explora um canal lateral baseado em tempo durante a decifragem RSA OAEP. Em determinadas condições, o ataque pode expor informações criptográficas protegidas pela chave de endosso do TPM.

CVEDescriçãoCVSS 4.0
CVE-2026-6726Vazamento de informação que pode permitir obter credenciais de uma autoridade certificadora para uma chave TPM falsificada, como Attestation Key, DevID ou chave TLS.8,5 (Alta)
CVE-2026-6727Canal lateral de tempo na decifragem RSA OAEP, capaz de expor informações criptográficas protegidas pela chave de endosso.8,3 (Alta)

Um dos resultados mais delicados desses ataques é a possibilidade de forjar atestações TPM 2.0 que aparentem ter sido produzidas por um módulo legítimo.

A atestação é um mecanismo utilizado para demonstrar a integridade de uma máquina para serviços remotos. Ela é importante em cenários como acesso condicional corporativo, verificação de dispositivos e validação da identidade de hardware.

Explicando a tecnologia

O que é uma atestação TPM?

É um mecanismo que permite a um sistema remoto verificar se determinadas características de segurança de um dispositivo são legítimas. O TPM utiliza chaves criptográficas para produzir evidências de que o hardware e o ambiente de inicialização correspondem ao estado esperado.

A lista de afetados vai de 2019 até os chips atuais

O boletim abrange uma parcela extensa do portfólio recente da AMD, incluindo processadores para desktops, notebooks, estações de trabalho, portáteis, sistemas embarcados e servidores.

SegmentoLinhas listadas
DesktopRyzen 3000, 4000, 5000, 7000, 8000 e 9000
NotebookRyzen 3000, 4000, 5000, 6000, 7020, 7030, 7035, 7040, 7045, 8040 e 9000HX
Ryzen AIRyzen AI 300, Ryzen AI 400 e Ryzen AI Max 300
HEDT e workstationThreadripper 7000 e Threadripper PRO 3000, 5000 e 7000 WX
PortáteisRyzen Z1 e Ryzen Z2
EmbarcadosRyzen Embedded 5000, 7000, 8000, 9000, P100, R1000, R2000, V1000, V2000 e V3000
ServidorEPYC 4004, EPYC 4005 e EPYC Embedded 2005 e 4005

A presença dos Ryzen Z1 e Ryzen Z2 também coloca dispositivos portáteis baseados nesses chips no escopo da vulnerabilidade. Isso inclui plataformas como o ROG Ally e o Legion Go, embora a necessidade de privilégios elevados reduza significativamente o alcance de uma exploração remota convencional.

As correções saíram antes do anúncio público

A AMD distribui as correções para esse tipo de problema por meio do Platform Initialization (PI), firmware de inicialização que os fabricantes de placas-mãe integram às próprias BIOS.

Entre as versões utilizadas para corrigir os problemas estão as revisões ComboAM5PI 1.3.0.1b e 1.2.0.3k, que começaram a aparecer em atualizações de BIOS de placas-mãe AM5 ao longo de junho e julho.

Como a distribuição depende de cada fabricante, não existe uma única data para todos os computadores. Modelos mais recentes ou de maior categoria podem receber a atualização primeiro, enquanto placas de entrada podem levar mais tempo para serem contempladas.

Para verificar a situação de um computador, o usuário deve consultar o changelog da BIOS disponível no site do fabricante da placa-mãe e conferir a versão de AGESA ou do firmware indicada para o seu processador.

Ryzen AI e Pluton exigem atenção adicional

Existe ainda uma particularidade nas plataformas mais novas. Para os processadores Ryzen AI 300, Ryzen AI 400 e Ryzen AI Max 300, as correções disponibilizadas inicialmente contemplam o fTPM, enquanto a mitigação relacionada ao Pluton tinha previsão de liberação posterior.

O Pluton é uma plataforma de segurança desenvolvida pela Microsoft em parceria com fabricantes como AMD, Intel e Qualcomm. Integrado ao processador, ele funciona como uma raiz de confiança de hardware e pode assumir funções relacionadas à proteção de chaves e credenciais.

Por isso, em sistemas nos quais o Pluton desempenha o papel de TPM, a simples atualização do fTPM pode não ser suficiente para solucionar todos os componentes relacionados ao problema.

Explicando a tecnologia

O que é o Microsoft Pluton?

O Pluton é um processador de segurança integrado à plataforma que funciona como uma raiz de confiança baseada em hardware. Ele foi desenvolvido para proteger chaves, credenciais e outras informações sensíveis contra determinados tipos de ataques que tentam comprometer o sistema operacional ou o firmware.

Intel também aparece entre as empresas afetadas

A descoberta das vulnerabilidades foi creditada a quatro pesquisadores da Intel: Liran Perez, Zecharye Galitzky, Shai Sarfati e Yanai Moyal. O caso foi encaminhado ao Vulnerability Response Team do TCG, que coordenou o processo de divulgação com o CERT/CC.

A lista de empresas notificadas inclui dezenas de fornecedores. A Intel também aparece como afetada pelas duas vulnerabilidades, enquanto empresas como Absolute Software, Ampere, Meta e a biblioteca libtpms foram classificadas como não afetadas.

Outras companhias, incluindo Microsoft, Dell, Lenovo, HP, NVIDIA, Qualcomm, Infineon, STMicroelectronics, Nuvoton, Broadcom e AWS, ainda apareciam com situação desconhecida no processo de divulgação. Isso significa que o número de produtos derivados da implementação vulnerável do TPM 2.0 pode aumentar à medida que outros fabricantes concluírem suas análises.

O que os usuários de Ryzen devem fazer?

A recomendação principal para proprietários de processadores Ryzen afetados é manter a BIOS da placa-mãe atualizada. Como as correções são distribuídas pelos fabricantes das placas e computadores, a AMD não disponibiliza necessariamente um instalador único que resolva o problema diretamente para todos os usuários.

Vale acessar o site da fabricante da placa-mãe ou do notebook, identificar o modelo exato do equipamento e conferir as versões mais recentes de BIOS e AGESA disponíveis. A atualização deve ser realizada seguindo cuidadosamente as instruções do fabricante.

Embora as vulnerabilidades tenham classificação alta, o requisito de acesso local privilegiado à interface do TPM reduz consideravelmente a possibilidade de exploração em um computador comum. Ainda assim, como o TPM é utilizado justamente para proteger informações sensíveis e mecanismos de confiança do sistema, manter o firmware atualizado é uma medida importante.

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Sobre o autor

Daniel Neri é desenvolvedor e criador do CompareCelular. Responsável pelo desenvolvimento da plataforma, organização da base de dados de smartphones e produção de conteúdos relacionados ao universo da tecnologia móvel.

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