O lendário desenvolvedor Hideo Kojima, criador das franquias Metal Gear e Death Stranding, entrou para a lista de personalidades da indústria que demonstraram preocupação com a decisão da Sony de encerrar gradualmente a produção de jogos físicos para PlayStation. Durante sua participação no festival Il Cinema in Piazza, em Roma, o diretor classificou a situação como "assustadora" e alertou para um futuro em que os jogadores não terão mais a posse efetiva dos títulos que compram.
Conhecido por ser um grande colecionador de Blu-rays e DVDs, Kojima explicou que cresceu em uma época em que possuir uma mídia física significava ter acesso permanente ao conteúdo. Segundo ele, a expansão dos serviços de assinatura e do streaming pode transformar os jogos em produtos acessíveis apenas enquanto o usuário mantiver uma assinatura ativa.
O que é mídia física?
Mídia física é qualquer jogo distribuído em um suporte físico, como Blu-ray, DVD ou cartucho. Diferentemente das versões exclusivamente digitais, ela pode ser revendida, emprestada ou mantida em uma coleção, além de continuar funcionando mesmo que a loja digital deixe de existir, desde que o hardware permaneça compatível.
"Estou muito triste com isso, porque cresci com mídia física. Se os jogos migrarem para o streaming no futuro, a posse também desaparecerá. É como assinaturas de filmes, como Netflix ou Amazon: há um servidor em algum lugar e você só tem o direito de abrir a torneira."
Kojima teme futuro baseado apenas em assinaturas
Segundo o diretor, a dependência de servidores de terceiros representa um risco para a preservação dos jogos e para os próprios consumidores. Caso uma assinatura seja cancelada ou um serviço seja encerrado, o acesso às obras pode simplesmente desaparecer, mesmo que o usuário tenha investido dinheiro ao longo dos anos.
A preocupação não é apenas teórica. Recentemente, a própria Sony removeu mais de 550 filmes disponíveis em seu ecossistema, mostrando que conteúdos digitais podem deixar de estar acessíveis quando acordos comerciais chegam ao fim.
Por que os serviços de assinatura preocupam parte da indústria?
Em serviços de assinatura, normalmente o usuário não compra uma cópia permanente do conteúdo. Em vez disso, ele adquire apenas o direito de acesso enquanto o catálogo permanecer disponível e a assinatura estiver ativa.
Isso significa que filmes, séries ou jogos podem ser removidos por questões comerciais, licenciamento ou decisões da própria empresa responsável pela plataforma.
Comunidade também critica decisão da Sony
As declarações de Kojima reforçam uma reação que já vinha crescendo entre jogadores e entidades dedicadas à preservação dos videogames. Desde que a Sony anunciou a redução da produção de jogos físicos, a decisão passou a ser alvo de críticas, debates nas redes sociais e manifestações de especialistas preocupados com a conservação da história dos games.
Mesmo diante da repercussão negativa, a empresa demonstra seguir firme em sua estratégia de priorizar a distribuição digital.
Fábrica histórica de Blu-rays muda de função
Um dos sinais mais claros dessa mudança foi a transformação da tradicional fábrica de Blu-rays da Sony. Responsável por produzir aproximadamente 24 bilhões de discos de jogos ao longo de sua história, a unidade começou a ser convertida em um laboratório voltado ao desenvolvimento de tecnologias de micro-óptica.
A mudança simboliza a transição da indústria para um modelo cada vez mais digital. Para críticos como Hideo Kojima, no entanto, o desafio será encontrar um equilíbrio entre conveniência, preservação histórica e o direito dos consumidores de manter acesso permanente aos jogos que adquiriram.