Linux 7.3 melhora desempenho em jogos, acelera SSDs e amplia suporte a hardware

Linux 7.3 melhora desempenho em jogos, acelera SSDs e amplia suporte a hardware

📅 Artigo atualizado em 27/10/2026
✍️ Por Daniel Neri

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Linux 7.3 chega com melhorias para jogos, SSDs e novos hardwares

O Linux 7.3 foi lançado oficialmente em 18 de outubro de 2026, trazendo uma série de melhorias de desempenho, suporte a novos dispositivos e otimizações para diferentes componentes do sistema operacional. Entre os destaques estão mudanças que podem beneficiar jogadores com placas de vídeo AMD, melhorias nas operações de leitura e escrita em SSDs e suporte inicial a processadores da família Apple M3.

Uma das novidades mais interessantes para os gamers está relacionada ao gerenciamento de memória das placas de vídeo AMD com pouca VRAM, a memória dedicada utilizada para armazenar texturas, modelos e outros elementos gráficos. Em um teste específico, a taxa mínima de quadros passou de 3,8 para 20,6 FPS depois das melhorias, resultado que demonstra o potencial das mudanças em condições bastante exigentes.

O kernel também recebeu suporte para novos controles, otimizações nos sistemas de arquivos Ext4 e Btrfs e avanços no suporte a processadores AMD de futuras gerações. Apesar da variedade de mudanças, é importante lembrar que os benefícios dependem do hardware, dos programas utilizados e da distribuição Linux instalada.

Linux 7.3 pode melhorar o desempenho de jogos em GPUs AMD

Uma das mudanças mais relevantes para os jogadores envolve o gerenciamento de memória gráfica em placas AMD com capacidade limitada de VRAM. Quando um jogo utiliza mais memória gráfica do que está disponível, o sistema precisa administrar cuidadosamente quais dados permanecem na memória da GPU e quais podem ser transferidos para outros locais, como a memória RAM do computador.

Esse processo pode gerar gargalos quando acontece em momentos críticos da execução do jogo. Se a transferência de dados disputar recursos com as tarefas necessárias para renderizar cada quadro, a taxa de quadros pode cair bruscamente, provocando travamentos momentâneos e prejudicando a fluidez da experiência.

O Linux 7.3 introduz melhorias que permitem administrar essas transferências de maneira mais eficiente, inclusive realizando parte do trabalho em segundo plano para liberar espaço na memória gráfica. A intenção é reduzir a interferência dessas operações na execução dos jogos e evitar quedas acentuadas de desempenho em situações de pressão sobre a VRAM.

Explicando melhor

VRAM é a memória dedicada da placa de vídeo. Ela armazena informações necessárias para desenhar os gráficos, como texturas, modelos tridimensionais e buffers de imagem. Quando essa memória fica sobrecarregada, o sistema precisa reorganizar os dados. Se esse processo acontecer de maneira pouco eficiente, pode provocar quedas de FPS e engasgos. Melhorar o gerenciamento da VRAM ajuda a reduzir esses problemas em determinadas situações.

Teste registra aumento de 3,8 para 20,6 FPS

Os números divulgados para a melhoria chamam a atenção: em um teste com um jogo executado enquanto oito processos exigentes trabalhavam em segundo plano, a taxa mínima de quadros subiu de 3,8 para 20,6 FPS. Isso representa um resultado aproximadamente 5,4 vezes superior à medição inicial.

O resultado é relevante porque a taxa mínima de quadros ajuda a revelar quedas de desempenho que podem passar despercebidas quando se observa apenas a média de FPS. Um jogo pode apresentar uma média aparentemente aceitável, mas ainda sofrer travamentos importantes em determinados momentos. Melhorar esses mínimos pode tornar a experiência mais consistente.

Entretanto, o teste representa uma situação específica, com carga de trabalho adicional intensa. O resultado não significa que todos os jogos passarão a executar cinco vezes mais rápido no Linux 7.3. Em condições normais, o ganho pode ser muito menor ou nem ser perceptível, especialmente em sistemas que não apresentam o mesmo gargalo de memória gráfica.

O benefício potencial tende a ser mais interessante para computadores que utilizam GPUs AMD com pouca VRAM e enfrentam limitações desse tipo. O desempenho final também depende do modelo da placa, do driver gráfico, do jogo e das demais características do sistema.

Suporte ampliado para placas de vídeo e controles gamers

Além das melhorias no gerenciamento de memória, o Linux 7.3 adiciona novos modificadores de formato DRM para placas gráficas AMD de gerações anteriores, incluindo modelos da família Radeon HD 7000. Esses recursos estão relacionados à maneira como os dados gráficos são organizados e utilizados pelo sistema, ajudando a ampliar a compatibilidade com diferentes caminhos de processamento.

O suporte a dispositivos voltados aos jogadores também foi ampliado. O kernel recebeu um novo driver de configuração para o controle MSI Claw, permitindo acessar recursos específicos do dispositivo sem depender exclusivamente das ferramentas disponibilizadas para Windows. Entre as possibilidades estão ajustes de modos de operação, iluminação RGB, intensidade da vibração e remapeamento de determinados botões traseiros.

Isso não significa que o controle MSI Claw fosse completamente incompatível com o Linux antes da atualização. A novidade está principalmente no suporte mais completo aos seus recursos específicos, oferecendo maior controle sobre o dispositivo diretamente no sistema operacional.

O Linux 7.3 também inclui suporte inicial ao Steam Controller de nova geração, ampliando a compatibilidade com o acessório e seus sensores. Essas mudanças são importantes para quem utiliza o Linux em computadores dedicados a jogos, consoles portáteis baseados em PC ou máquinas conectadas à televisão.

SSDs NVMe podem ganhar desempenho com o Linux 7.3

As melhorias não se limitam aos jogos. O Linux 7.3 também traz otimizações relacionadas ao armazenamento, incluindo operações de leitura e escrita e alterações no funcionamento de sistemas de arquivos como Ext4 e Btrfs. Essas mudanças podem beneficiar computadores que utilizam SSDs modernos, especialmente em tarefas que envolvem muitas operações pequenas e simultâneas.

Em um teste de leitura aleatória de blocos de 4 KB realizado com um SSD NVMe PCIe 5.0, o desempenho passou de aproximadamente 1,92 milhão para 2,19 milhões de operações por segundo. Isso representa um aumento de cerca de 14% nesse cenário específico. Os ganhos podem ser maiores em determinadas condições quando as operações são realizadas de forma concorrente por meio de mecanismos como o io_uring.

Esse tipo de medição não deve ser confundido com a velocidade máxima de transferência anunciada pelos fabricantes de SSDs. O teste avalia a quantidade de operações de leitura realizadas em um determinado intervalo, e não necessariamente a velocidade de transferência de arquivos grandes em megabytes ou gigabytes por segundo.

Explicando melhor

Um SSD pode executar diferentes tipos de tarefas. Copiar um arquivo grande envolve principalmente a transferência contínua de dados, enquanto abrir milhares de arquivos pequenos exige muitas operações individuais. O desempenho em IOPS, sigla de operações de entrada e saída por segundo, mede quantas dessas operações o dispositivo consegue realizar. Melhorias nesse indicador podem beneficiar determinadas cargas de trabalho, mas não significam que todas as transferências ficarão 14% mais rápidas.

As otimizações também incluem melhorias em operações de entrada e saída direta, que permitem acessar o armazenamento sem utilizar o cache de páginas tradicional do sistema, além de ajustes em operações de alocação de espaço. O Ext4, bastante utilizado em distribuições Linux, está entre os sistemas de arquivos beneficiados. O XFS também recebe melhorias em determinados tipos de leitura, enquanto o Btrfs integra o conjunto de avanços relacionados ao armazenamento.

Outra mudança envolve o escalonador de tarefas do Cgroup, mecanismo utilizado para organizar e limitar recursos destinados a grupos de processos. Uma distribuição mais eficiente do tempo de processamento pode ajudar sistemas que executam várias tarefas simultaneamente, embora o resultado dependa da carga de trabalho e das configurações utilizadas.

Linux 7.3 prepara terreno para processadores AMD Zen 6

O novo kernel também apresenta avanços iniciais relacionados à futura arquitetura Zen 6 da AMD. Esse trabalho ajuda a preparar a infraestrutura do sistema operacional para reconhecer e oferecer suporte aos novos processadores, mas não deve ser interpretado como garantia de que todos os recursos desses chips já estarão disponíveis desde o primeiro dia.

O suporte a novas gerações de processadores costuma ser desenvolvido gradualmente. Parte das mudanças pode ser incorporada antes da chegada dos produtos ao mercado, enquanto outros ajustes dependem de informações técnicas, firmware e testes realizados com o hardware final.

Além disso, uma correção em um caminho antigo do código relacionado ao gerenciamento de memória permite que processadores mais antigos, incluindo determinados modelos Athlon XP e Pentium III, utilizem uma instrução específica que anteriormente encontrava limitações nesse contexto. A mudança é um exemplo do trabalho de manutenção que continua acontecendo mesmo em um kernel voltado também a equipamentos modernos.

Suporte inicial aos chips Apple M3

Entre as novidades para computadores Apple está a ampliação do suporte inicial aos chips M3 Pro, M3 Max e M3 Ultra. O trabalho faz parte do esforço da comunidade para permitir que sistemas Linux funcionem em computadores equipados com processadores Apple Silicon, desenvolvidos com arquitetura ARM.

É importante observar que esse suporte ainda está em estágio inicial. Conseguir identificar o hardware e iniciar o sistema não significa que todos os componentes do computador já funcionem perfeitamente. Recursos como aceleração gráfica, áudio, gerenciamento de energia, suspensão e outros dispositivos podem exigir desenvolvimento adicional antes que o Linux esteja pronto para uso diário sem limitações.

Por isso, a novidade é especialmente relevante para desenvolvedores e entusiastas que acompanham o projeto de compatibilidade do Linux com computadores Apple, mas não representa uma garantia de experiência equivalente à de um sistema oficialmente suportado em todos os modelos equipados com M3.

Servidores SMB ganham suporte a backups do Time Machine

Outra novidade relacionada ao ecossistema Apple está nos servidores SMB integrados ao Linux, que passam a permitir o uso de compartilhamentos compatíveis para backups do Time Machine. O recurso pode facilitar a utilização de servidores Linux como destino de cópias de segurança de computadores Mac em ambientes compatíveis.

O SMB é um protocolo de rede utilizado para compartilhar arquivos e pastas entre computadores. Com o suporte adequado, um servidor pode disponibilizar um espaço de armazenamento na rede para que outros dispositivos salvem seus dados. No caso do Time Machine, isso pode ser útil para quem deseja manter os backups em um servidor próprio ou em um equipamento de armazenamento conectado à rede.

O funcionamento depende da configuração do serviço SMB e dos requisitos de compatibilidade do macOS. A presença do recurso no kernel não significa que qualquer servidor Linux estará automaticamente pronto para receber backups sem ajustes adicionais.

Outras correções e melhorias de compatibilidade

O Linux 7.3 também corrige um problema relacionado à identificação do Apple Studio Display em determinadas configurações com placas de vídeo AMD e múltiplas telas. A alteração busca evitar que o monitor seja interpretado incorretamente como duas telas separadas, situação que pode causar comportamentos inadequados na configuração de vídeo.

Como acontece em atualizações importantes do kernel, a versão também reúne uma grande quantidade de alterações menores, correções de falhas e melhorias para componentes de hardware. O desenvolvimento contou com 18.765 commits de mais de 3 mil desenvolvedores, incluindo 807 pessoas que contribuíram pela primeira vez, segundo os números divulgados para o ciclo.

Esse volume de contribuições mostra a dimensão do desenvolvimento colaborativo do Linux, que depende do trabalho de desenvolvedores independentes, empresas de tecnologia, fabricantes de hardware e mantenedores de diferentes subsistemas.

Como baixar o Linux 7.3?

O código-fonte do Linux 7.3 está disponível no site oficial do projeto, o kernel.org. Entretanto, a publicação de uma nova versão principal não significa que todas as distribuições Linux a disponibilizarão imediatamente por meio de suas atualizações automáticas.

Distribuições diferentes adotam políticas distintas para selecionar, testar e distribuir versões do kernel. Algumas acompanham as versões mais recentes rapidamente, enquanto outras priorizam estabilidade e utilizam versões mantidas por períodos mais longos. Por isso, usuários de Ubuntu, Fedora, Debian e outras distribuições devem verificar os canais oficiais de atualização de seu sistema antes de tentar instalar o kernel manualmente.

Instalar um kernel manualmente pode exigir procedimentos adicionais e trazer incompatibilidades com determinados drivers ou módulos. Para quem utiliza o computador em atividades importantes, aguardar a disponibilização da versão pelos repositórios da própria distribuição costuma ser a opção mais simples e segura.

Com o Linux 7.3, a comunidade amplia o suporte a novos dispositivos e apresenta melhorias que podem beneficiar jogos, armazenamento e sistemas baseados em hardware Apple. O ganho de FPS observado no teste chama a atenção, mas os resultados mais relevantes para cada usuário dependerão do equipamento utilizado e das condições reais de execução.

Perguntas frequentes sobre o Linux 7.3

O Linux 7.3 aumenta o FPS dos jogos em cinco vezes?

Não em todos os jogos. Um teste específico, realizado com oito processos exigentes em segundo plano, registrou aumento da taxa mínima de 3,8 para 20,6 FPS. O resultado depende das condições do teste e não representa um ganho universal.

Quais placas de vídeo são beneficiadas pelo Linux 7.3?

Entre os destaques estão as GPUs AMD com pouca VRAM, que recebem melhorias no gerenciamento de memória, além de suporte a modificadores de formato DRM para modelos de gerações anteriores.

O Linux 7.3 deixa os SSDs mais rápidos?

A versão traz otimizações de armazenamento. Em um teste específico com um SSD NVMe PCIe 5.0, o desempenho de leitura aleatória passou de 1,92 milhão para 2,19 milhões de operações por segundo. O ganho varia conforme a tarefa e o hardware.

O Linux 7.3 já oferece suporte completo aos chips Apple M3?

Não. O suporte aos modelos M3 Pro, M3 Max e M3 Ultra ainda é inicial, e diversos componentes podem precisar de mais desenvolvimento antes de oferecer uma experiência completa.

Como instalar o Linux 7.3?

O código-fonte pode ser obtido no kernel.org, mas a forma mais adequada de instalação depende da distribuição utilizada. É recomendável verificar os repositórios e as instruções oficiais do sistema antes de atualizar manualmente.

Daniel Neri
Sobre o autor

Daniel Neri é desenvolvedor e criador do CompareCelular. Responsável pelo desenvolvimento da plataforma, organização da base de dados de smartphones e produção de conteúdos relacionados ao universo da tecnologia móvel.

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