Micron apresenta módulo DDR5 de 512 GB com velocidade de até 9.200 MT/s

Micron apresenta módulo DDR5 de 512 GB com velocidade de até 9.200 MT/s

📅 Artigo atualizado em 17/09/2026
✍️ Por Daniel Neri

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A Micron apresentou um novo módulo de memória DDR5 destinado a servidores que combina capacidade e velocidade em níveis ainda pouco comuns no mercado. O componente é um RDIMM de 512 GB capaz de atingir taxas de transferência de até 9.200 MT/s e foi desenvolvido principalmente para data centers que executam cargas pesadas de inteligência artificial, análise de dados e bancos de dados.

A capacidade de 512 GB em um único módulo permite aumentar consideravelmente a quantidade de memória disponível em servidores sem ocupar tantos slots. A Micron também afirma que a solução pode reduzir o consumo de energia em determinadas configurações, além de melhorar a escalabilidade de aplicações que dependem de grandes quantidades de memória.

Micron cria módulo DDR5 de 512 GB

O novo módulo é um RDIMM DDR5 com capacidade de 512 GB. A tecnologia foi desenvolvida para ambientes de servidores e representa uma evolução importante na densidade de memória disponível por módulo.

Em uma configuração de servidor dual-socket equipada com 24 slots de memória, por exemplo, a utilização de módulos de 512 GB permitiria alcançar uma capacidade total de até 12 TB de RAM. Isso cria espaço para manter conjuntos de dados muito grandes diretamente na memória principal, reduzindo a necessidade de movimentar informações constantemente entre a RAM e o armazenamento.

Explicando melhor

RDIMM significa Registered Dual Inline Memory Module. Esse tipo de memória possui um registrador entre o controlador de memória e os chips DRAM, ajudando a controlar os sinais elétricos em sistemas com grande quantidade de RAM. Por isso, RDIMMs são amplamente utilizados em servidores e estações de trabalho, onde capacidade e estabilidade são mais importantes do que a utilização em computadores domésticos comuns.

Memória chega a 9.200 MT/s

Além da capacidade elevada, o novo módulo da Micron pode atingir até 9.200 MT/s. Essa especificação representa a taxa de transferência efetiva da memória, indicando quantas transferências de dados podem ocorrer por segundo.

É importante diferenciar MT/s de MHz. MT/s significa milhões de transferências por segundo, enquanto MHz representa milhões de ciclos de clock por segundo. Como as memórias DDR realizam duas transferências de dados por ciclo de clock, a taxa de transferência não deve ser tratada simplesmente como a frequência física do clock.

Explicando melhor

MT/s significa MegaTransfers per second, ou milhões de transferências por segundo. Em memórias DDR, os dados são transferidos duas vezes a cada ciclo de clock, nas bordas de subida e descida do sinal. Por isso, uma memória anunciada como DDR5-9200 possui uma taxa efetiva de 9.200 MT/s, enquanto a frequência real do clock é aproximadamente metade desse valor.

Empilhamento vertical aumenta a densidade

Para chegar aos 512 GB em um único módulo, a Micron utiliza uma arquitetura de empacotamento com interconexão vertical. Os chips de DRAM são empilhados e conectados por meio de TSVs, sigla em inglês para through-silicon vias.

Os TSVs são estruturas que atravessam verticalmente os chips de silício para estabelecer conexões elétricas entre diferentes camadas. Essa abordagem permite aumentar a quantidade de memória instalada em um espaço físico limitado, sendo particularmente importante para módulos de alta densidade.

Explicando melhor

TSV é uma tecnologia utilizada para criar conexões elétricas verticais através de um chip de silício. Em memórias empilhadas, essas conexões permitem que diferentes camadas de chips se comuniquem ocupando menos espaço físico do que uma disposição totalmente horizontal. A técnica é importante para aumentar a densidade de memória em módulos e sistemas avançados.

Um servidor pode chegar a 12 TB de RAM

A densidade do novo módulo permite alcançar capacidades muito elevadas em servidores. Em uma configuração dual-socket com 24 slots, a instalação de um módulo de 512 GB em cada posição poderia resultar em até 12 TB de memória principal.

Uma quantidade dessa magnitude é especialmente útil para aplicações que precisam manter grandes volumes de dados disponíveis para acesso rápido. Bancos de dados, sistemas de análise e determinadas cargas de inteligência artificial podem se beneficiar de grandes quantidades de RAM porque a memória oferece acesso muito mais rápido aos dados do que o armazenamento convencional.

AMD e Intel participam da validação

O novo módulo da Micron já está passando por processos de validação em parceria com fabricantes de processadores para servidores. AMD e Intel estão colaborando com a empresa para testar a memória em suas futuras plataformas e realizar as otimizações necessárias.

Essa etapa é importante porque módulos de memória de altíssima capacidade precisam ser validados em conjunto com controladores de memória, processadores e placas-mãe. A compatibilidade não depende apenas do módulo funcionar eletricamente, mas também da plataforma conseguir reconhecer, endereçar e utilizar toda a capacidade disponível de maneira adequada.

Um único módulo pode reduzir o consumo de energia

A eficiência energética é outro destaque apresentado pela Micron. Segundo a fabricante, substituir quatro módulos de 128 GB por um único módulo de 512 GB pode reduzir em mais de 60% o consumo de energia operacional associado à memória em determinadas condições.

A redução está relacionada à menor quantidade de módulos necessária para alcançar a mesma capacidade. Em data centers, onde milhares de servidores podem funcionar continuamente, pequenas diferenças de consumo por equipamento podem representar uma economia significativa quando multiplicadas por toda a infraestrutura.

Além da economia direta de energia, manter grandes conjuntos de dados na memória principal pode reduzir a necessidade de acessar dispositivos de armazenamento durante determinadas cargas. Como a RAM possui latência muito menor que o armazenamento, essa característica pode contribuir para o desempenho de aplicações que trabalham constantemente com grandes volumes de dados.

Redis e RocksDB estão entre as aplicações beneficiadas

A Micron também apresentou resultados de testes com aplicações que dependem intensamente de memória. Em cargas de análise de dados baseadas em Spark SVM, a empresa afirma ter obtido desempenho de até 1,4 vez em comparação com sistemas equipados com 256 GB.

Ferramentas como Redis e RocksDB também podem se beneficiar da maior capacidade disponível. Essas tecnologias utilizam a memória de maneira intensiva e podem aproveitar sistemas com maior quantidade de RAM para armazenar mais dados ou ampliar sua capacidade de processamento e escalabilidade.

Explicando melhor

Redis é um sistema de armazenamento de dados em memória usado em aplicações que precisam de acesso muito rápido às informações. RocksDB é um mecanismo de armazenamento otimizado para cargas que utilizam grandes volumes de dados. Em ambos os casos, a quantidade e a velocidade da memória disponível podem influenciar a capacidade de atender cargas de trabalho maiores.

Memória foi criada pensando em inteligência artificial

O lançamento acontece em um momento de forte expansão da infraestrutura necessária para inteligência artificial. Modelos de IA e sistemas de análise podem trabalhar com conjuntos de dados enormes, aumentando a necessidade de servidores equipados com grandes quantidades de memória.

Em vez de depender exclusivamente de armazenamento para manter esses dados, servidores com vários terabytes de RAM conseguem manter uma quantidade muito maior de informações disponível para acesso rápido. Isso pode ser especialmente importante em aplicações que realizam operações repetitivas sobre grandes conjuntos de dados.

A estratégia também mostra por que fabricantes de memória estão investindo em soluções de altíssima densidade. O mercado de data centers está exigindo não apenas maior capacidade de processamento, mas também memória suficiente para acompanhar processadores e aceleradores cada vez mais potentes.

Quando o DDR5 de 512 GB chegará ao mercado?

De acordo com a Micron, o novo módulo está previsto para entrar em produção em massa durante a segunda metade de 2027. Antes disso, a solução precisa avançar pelas etapas de validação e qualificação das plataformas de servidores compatíveis.

O foco inicial é claramente o mercado corporativo e de data centers. Apesar de a capacidade de 512 GB por módulo chamar atenção entre entusiastas de hardware, a tecnologia não foi desenvolvida pensando em computadores domésticos ou PCs gamers convencionais.

Com a chegada da produção em massa, a expectativa é que módulos de altíssima densidade ajudem servidores a alcançar capacidades de memória cada vez maiores sem exigir o mesmo crescimento no número de módulos instalados. Para data centers voltados a inteligência artificial e análise de dados, essa evolução pode ser tão importante quanto o aumento do desempenho dos próprios processadores.

Daniel Neri
Sobre o autor

Daniel Neri é desenvolvedor e criador do CompareCelular. Responsável pelo desenvolvimento da plataforma, organização da base de dados de smartphones e produção de conteúdos relacionados ao universo da tecnologia móvel.

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