PS5 antigos começam a apresentar defeito por oxidação do metal líquido; entenda

PS5 antigos começam a apresentar defeito por oxidação do metal líquido; entenda

📅 Artigo atualizado em 14/08/2026
✍️ Por Daniel Neri

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Os primeiros modelos do PlayStation 5 começam a apresentar sinais de desgaste relacionados ao sistema de refrigeração do console. Após quase seis anos desde o lançamento, unidades mais antigas podem enfrentar problemas causados pela oxidação e pelo deslocamento do metal líquido utilizado entre a APU e o dissipador de calor.

O alerta ganhou força após o técnico polonês Modyfikator89 analisar uma unidade do modelo CFI-1116, uma das primeiras grandes revisões de hardware do PS5. O console apresentava desligamentos constantes provocados por superaquecimento, e a análise interna revelou danos na área de contato do sistema de refrigeração.

Embora o die da APU tenha permanecido intacto após a limpeza, a superfície do dissipador apresentava forte oxidação e havia perdido parte da camada protetora de niquelagem. O processo deixou marcas permanentes na estrutura de cobre responsável por transferir o calor para o sistema de refrigeração.

Problema pode inutilizar o dissipador de calor do PS5

O metal líquido utilizado pela Sony possui uma excelente capacidade de condução térmica e, por isso, consegue transferir calor de maneira mais eficiente do que soluções tradicionais, como pastas térmicas. O problema é que ligas à base de gálio podem reagir com determinados metais quando a camada de proteção existente entre os materiais é comprometida.

Explicando a tecnologia

O que é metal líquido?

Metal líquido é um composto metálico que permanece em estado líquido em temperaturas de funcionamento e apresenta elevada condutividade térmica. Em sistemas eletrônicos, ele pode ser utilizado entre o processador e o dissipador para melhorar a transferência de calor. No PS5, a Sony utiliza uma liga à base de gálio como interface térmica entre a APU e o sistema de refrigeração.

Com o uso prolongado, o composto pode sofrer alterações e se deslocar da região originalmente aplicada. Quando isso acontece, podem surgir áreas com contato térmico inadequado entre o processador e o dissipador. A consequência é uma redução na capacidade de retirar calor da APU.

Em situações mais severas, o console pode atingir temperaturas elevadas, reduzir seu desempenho para controlar o calor por meio do thermal throttling e até desligar automaticamente para evitar danos aos componentes.

Explicando a tecnologia

O que é thermal throttling?

Thermal throttling é um mecanismo de proteção que reduz automaticamente o desempenho de um processador quando sua temperatura ultrapassa determinados limites. Ao diminuir a frequência de operação, o componente gera menos calor e tenta evitar danos provocados pelo superaquecimento.

Oxidação pode danificar permanentemente o dissipador

O caso analisado pelo técnico chama atenção porque o problema não ficou restrito ao metal líquido. A reação química também afetou a superfície do dissipador, removendo parte da camada protetora de níquel e deixando marcas na estrutura de cobre.

Isso é particularmente importante porque uma alteração permanente na superfície de contato pode dificultar a transferência de calor mesmo depois que o metal líquido é removido e substituído. Em outras palavras, simplesmente trocar o composto pode não ser suficiente quando o dissipador já sofreu danos significativos.

O resultado pode ser um ciclo de superaquecimento: a transferência de calor fica prejudicada, a temperatura da APU aumenta, o console reduz seu desempenho para tentar controlar o problema e, em situações mais graves, acaba desligando durante os jogos.

Quais PS5 podem apresentar o problema?

O caso analisado envolve o modelo CFI-1116, pertencente a uma das primeiras revisões de hardware do PlayStation 5. Esses modelos utilizam uma solução de refrigeração baseada em metal líquido e podem acumular vários anos de uso, o que torna o desgaste um fator que merece atenção.

Isso, porém, não significa que todos os PS5 antigos estejam condenados a apresentar o defeito. Um caso individual não é suficiente para confirmar um problema crônico que afete toda uma série de consoles, e diferentes condições de uso, armazenamento e posicionamento do aparelho podem influenciar seu comportamento térmico.

Relatos publicados por usuários em comunidades online, incluindo o Reddit, também mencionam problemas semelhantes em unidades mais antigas. Ainda assim, esses relatos devem ser interpretados com cautela, já que não representam uma amostra estatística capaz de determinar a frequência real do problema.

Sony aprimorou o sistema de refrigeração nas versões mais novas

A própria evolução do hardware do PlayStation 5 mostra que a Sony realizou mudanças no sistema térmico ao longo das diferentes revisões do console.

Nas versões mais recentes, como o PS5 Slim e o PS5 Pro, a fabricante adotou alterações no projeto do sistema de refrigeração, incluindo superfícies com microranhuras usinadas e melhorias nas barreiras responsáveis por manter o metal líquido na região correta.

Essas mudanças ajudam a reduzir o risco de deslocamento do composto e melhorar a estabilidade da interface térmica ao longo do tempo. Isso não significa que os modelos mais recentes estejam completamente livres de problemas térmicos, mas mostra que a Sony continuou aprimorando a solução utilizada desde o lançamento do PS5.

Como saber se o PS5 está superaquecendo?

Um dos principais sinais de que existe algum problema no sistema de refrigeração é o desligamento repentino do console durante jogos mais exigentes. Aumento incomum do ruído das ventoinhas, quedas de desempenho e mensagens relacionadas à temperatura também podem indicar que o sistema está trabalhando próximo do limite térmico.

Entretanto, esses sintomas não significam necessariamente que o metal líquido esteja oxidado ou deslocado. Poeira acumulada, problemas na ventoinha, obstruções na circulação de ar ou outras falhas no sistema de refrigeração também podem provocar comportamento semelhante.

Por isso, a abertura do console e a substituição do metal líquido não devem ser realizadas de maneira improvisada. O composto exige cuidados específicos durante a aplicação e uma intervenção inadequada pode causar danos aos componentes eletrônicos.

Problema exige atenção, mas não significa que todo PS5 antigo esteja condenado

O caso envolvendo o CFI-1116 mostra que o envelhecimento do sistema de refrigeração pode se tornar um fator relevante para os primeiros PlayStation 5. A oxidação da superfície do dissipador é especialmente preocupante porque pode provocar danos permanentes e comprometer a capacidade de transferência de calor.

Apesar disso, ainda não há evidências suficientes para afirmar que todos os consoles antigos apresentarão o mesmo defeito. O mais prudente para proprietários de modelos de primeira geração é observar sinais de superaquecimento e desligamentos inesperados, principalmente após vários anos de uso.

Enquanto isso, as revisões posteriores do PlayStation 5 mostram que a Sony não permaneceu parada e realizou mudanças no projeto térmico do console. Para quem possui uma unidade antiga funcionando normalmente, portanto, não há motivo para realizar uma intervenção preventiva sem que existam sintomas concretos de problema.

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Sobre o autor

Daniel Neri é desenvolvedor e criador do CompareCelular. Responsável pelo desenvolvimento da plataforma, organização da base de dados de smartphones e produção de conteúdos relacionados ao universo da tecnologia móvel.

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