A Samsung Electronics iniciou negociações para reajustar em até 10% os preços de memórias DRAM e NAND fornecidas a fabricantes de smartphones. A medida ocorre em um momento de forte demanda por componentes destinados à infraestrutura de inteligência artificial, que vem aumentando a disputa pela capacidade de produção das fabricantes de semicondutores.
O movimento pode elevar os custos de fabricação dos celulares nos próximos trimestres, principalmente porque componentes de memória e armazenamento representam uma parcela importante da lista de materiais utilizada pelos fabricantes. No entanto, um eventual aumento no preço final dos smartphones dependerá da estratégia de cada empresa e não necessariamente acompanhará o mesmo percentual do reajuste das memórias.
Samsung negocia aumento de até 10% nas memórias
A divisão responsável pela produção de componentes da Samsung iniciou negociações na Coreia do Sul para reajustar os preços de memórias DRAM e NAND vendidas para fabricantes de smartphones. O aumento discutido pode chegar a 10%, dependendo do componente e das condições negociadas com cada cliente.
As negociações começaram pelas fabricantes chinesas de celulares e posteriormente envolveram a divisão de dispositivos da própria Samsung. A Apple também deverá participar das negociações no quarto trimestre, de acordo com as informações divulgadas sobre o mercado.
A escala das compras é um dos fatores que pode influenciar essas negociações. Grandes fabricantes de smartphones compram volumes significativos de memória, o que lhes dá maior relevância nas discussões comerciais com os fornecedores.
DRAM e NAND são dois tipos diferentes de memória utilizados nos smartphones. A DRAM, como a LPDDR empregada em celulares, funciona como memória de trabalho e mantém temporariamente os dados utilizados pelos aplicativos e pelo sistema. A NAND é uma memória não volátil usada principalmente para armazenamento interno, onde ficam aplicativos, fotos, vídeos e arquivos.
Inteligência artificial aumenta a disputa por capacidade de produção
Um dos principais motivos para a pressão sobre os preços é o crescimento do mercado de inteligência artificial. Fabricantes de memória como Samsung, SK Hynix e Micron direcionaram parte de sua capacidade produtiva para componentes de maior margem utilizados em servidores e sistemas de IA.
Entre esses produtos estão as memórias HBM, utilizadas em aceleradores de inteligência artificial, além de diferentes tipos de DRAM destinadas ao mercado de servidores. Como a capacidade das fábricas é limitada, o aumento da produção desses componentes pode reduzir a disponibilidade relativa de memórias destinadas a outros segmentos, incluindo smartphones.
Para os fabricantes de celulares, isso cria uma situação particularmente delicada. Ao mesmo tempo em que precisam garantir grandes volumes de DRAM e NAND para seus aparelhos, eles passam a disputar capacidade de produção com um mercado de servidores que apresenta forte demanda por componentes avançados.
Memórias LPDDR para celulares também são afetadas
A produção de memórias voltadas aos smartphones não está completamente isolada dessa mudança na indústria. A redução relativa da capacidade disponível para componentes como LPDDR pode contribuir para pressionar os preços negociados entre fornecedores e fabricantes de celulares.
Segundo dados atribuídos à consultoria Omdia, os custos combinados de memória e armazenamento aumentaram significativamente e devem permanecer elevados pelo menos até o primeiro semestre de 2027. As projeções indicam que os componentes podem registrar aumentos na faixa de 7% a 10% em determinadas condições de mercado.
LPDDR é uma família de memórias DRAM desenvolvida para dispositivos móveis. A sigla significa Low Power Double Data Rate e indica uma tecnologia otimizada para consumir menos energia. A memória LPDDR é utilizada como RAM em smartphones, tablets e outros dispositivos portáteis, ajudando o processador a acessar rapidamente os dados necessários para executar aplicativos e tarefas.
Apple também entra nas negociações
A Apple está entre as empresas que deverão negociar os preços das memórias com os fornecedores. A companhia possui uma demanda elevada por componentes NAND utilizados em seus smartphones e, devido ao volume de compras, ocupa uma posição relevante nas negociações com fabricantes de memória.
As negociações da Apple estão previstas para ocorrer no quarto trimestre. O resultado desses acordos poderá ajudar a definir os custos de componentes utilizados nos próximos lotes de aparelhos da empresa.
Celulares podem ficar mais caros?
Um aumento de 7% a 10% nos custos de memória não significa automaticamente que os smartphones ficarão 7% a 10% mais caros. O preço final de um aparelho é formado por diversos componentes e despesas, incluindo processador, tela, câmeras, bateria, fabricação, logística, impostos, marketing e margem de lucro.
Mesmo assim, uma alta persistente no preço de DRAM e NAND pode aumentar o custo de fabricação dos smartphones. Os fabricantes terão então de decidir se absorvem parte desse aumento, reduzem custos em outras áreas ou repassam uma parcela do impacto ao consumidor.
O efeito tende a ser particularmente relevante em aparelhos com grandes quantidades de RAM e armazenamento interno, já que esses modelos utilizam volumes maiores de memória. Modelos com 12 GB ou 16 GB de RAM e armazenamento de 512 GB ou 1 TB, por exemplo, podem ser mais sensíveis às oscilações desses componentes do que configurações mais básicas.
Pressão sobre o mercado deve continuar em 2027
As informações divulgadas sobre o mercado apontam que a pressão sobre os preços das memórias pode continuar durante os próximos trimestres. A previsão de custos elevados até o primeiro semestre de 2027 está relacionada principalmente ao desequilíbrio entre a demanda crescente por componentes para inteligência artificial e a capacidade disponível para atender os demais mercados.
Para os consumidores, o cenário merece atenção porque a memória é um dos componentes que mais influencia a configuração dos smartphones modernos. Uma eventual alta prolongada pode afetar tanto o custo dos aparelhos novos quanto as decisões dos fabricantes sobre quais combinações de RAM e armazenamento oferecer em cada faixa de preço.
Por enquanto, a Samsung está negociando os novos valores com seus clientes, e o impacto definitivo dependerá dos acordos firmados e da evolução da oferta e da demanda no mercado de semicondutores. A disputa pela capacidade de produção entre smartphones e infraestrutura de inteligência artificial deve continuar sendo um dos principais fatores a acompanhar nos próximos meses.